Crise Migratória no Norte de Roraima: Desafios e Perspectivas
A região de Pacaraima, no estado de Roraima, tem se tornado um local de referência para a crise migratória que afeta a Venezuela. De acordo com a Polícia Federal, mais de 16 mil venezuelanos pediram refúgio no estado nos primeiros seis meses de 2023, o que representa um aumento de 20% em relação ao registro de 2017, quando foram recebidas pouco mais de 13,5 mil solicitações.
A cidade de Pacaraima, com uma população local de cerca de 15 mil habitantes, abriga atualmente mais de 1,5 mil imigrantes em situação de rua, o que representa 22% da população local. O município conta com apenas um abrigo público, exclusivo para imigrantes indígenas, e a prefeitura está trabalhando para implantar um novo abrigo para não-índios na fronteira, com capacidade para 500 pessoas.
O acampamento improvisado às margens da BR-174, rodovia que liga o país à Venezuela, é um dos locais mais vulneráveis da região. Familhas inteiras vivem em barracas de camping e estruturas improvisadas, cobertas por plástico para proteger da chuva. A temperatura na madrugada chega aos 16º C, tornando as condições de vida ainda mais precárias.
A jovem Angélia Aguilera, de 18 anos, está no Brasil há um mês, junto com o marido e o filho Elieser, de um ano. Ela conta que saiu de Maturin, a 785 Km de Pacaraima, em busca de refúgio no Brasil devido à falta de trabalho, comida e remédio na Venezuela. “Vim porque na Venezuela não tem nada”, disse Angélia. “Aqui na rua é muito frio. Nunca imaginei que ia passar por isso”.
O esposo de Angélia trabalhava em uma empresa multinacional, mas o salário corroído pela inflação diária de 2,8% tornou-se insuficiente para a família. Por isso, eles resolveram tentar a vida no Brasil, onde buscam trabalho e sobrevivência.
A Crise Migratória na Venezuela
A crise econômica e política na Venezuela é a principal causa da migração de venezuelanos para o Brasil. A inflação diária de 2,8% e a falta de trabalho, comida e remédio tornaram a vida no país insustentável para muitos. Além disso, a crise política e a falta de garantias de segurança tornaram a situação ainda mais precária.
Segundo a Força Tarefa Logística Humanitária, criada pelo Governo Federal para lidar com a imigração, a média de entrada de venezuelanos em Roraima nos últimos cinco meses foi de 416 pessoas ao dia. Ainda não há números precisos sobre a quantidade exata de venezuelanos vivendo em Roraima, mas um levantamento da prefeitura de Boa Vista apontou que, só na capital, há 25 mil moradores venezuelanos – o equivalente a 7,5% da população local, que é de 332 mil habitantes.
Perspectivas e Desafios
A crise migratória no Norte de Roraima é um desafio complexo que requer uma abordagem integral e coordenada. A implementação de um novo abrigo público para não-índios na fronteira é um passo importante para resolver a situação de rua dos imigrantes. Além disso, a necessidade de emprego, educação e saúde é fundamental para a integração dos imigrantes na sociedade brasileira.
A interiorização de venezuelanos recém-chegados a Roraima para outros estados do país é uma medida importante para distribuir a carga migratória e evitar a sobrecarga nos municípios fronteiriços. No entanto, é fundamental garantir que os imigrantes recebam suporte adequado para se adaptar às novas condições de vida.
Em resumo, a crise migratória no Norte de Roraima é um desafio complexo que requer uma abordagem integral e coordenada. A implementação de políticas públicas eficazes, a garantia de emprego, educação e saúde e a cooperação internacional são fundamentais para resolver a situação de rua dos imigrantes e garantir a integração dos venezuelanos na sociedade brasileira.
